Procedimentos · Mamas
Para quem busca aumentar o volume das mamas sem usar prótese de silicone, a lipoenxertia utiliza a gordura do próprio corpo para um resultado mais natural, em volumes moderados.
Por Dra. Julia Facchi · CRM-SP 220.746 / RQE 146.320
A lipoenxertia mamária é a técnica que aumenta o volume das mamas com gordura retirada de outra área do corpo da própria paciente — geralmente abdômen, flancos ou coxas —, processada e reinjetada nas mamas. Ao contrário da mamoplastia de aumento com prótese, não utiliza nenhum material sintético: o resultado usa apenas tecido do próprio corpo.
A lipoenxertia mamária tem um perfil de indicação bem definido, diferente da prótese de silicone.
É indicada para quem deseja um aumento discreto a moderado de volume, com resultado de toque e aparência naturais, e que tem gordura corporal suficiente disponível para a coleta por lipoaspiração — geralmente no abdômen, nos flancos ou nas coxas.
Assim como a prótese, a lipoenxertia não corrige flacidez ou ptose mamária por conta própria — quando há sobra real de pele, ainda pode ser necessário associar outro procedimento, como a mastopexia. Também não é a opção mais indicada para quem busca aumentos muito expressivos de volume em um único procedimento, já que apenas parte da gordura enxertada se mantém de forma definitiva.
Primeiro, a gordura é retirada de uma ou mais áreas doadoras por lipoaspiração. Em seguida, ela é processada — centrifugada ou filtrada, conforme a técnica — para separar as células de gordura viáveis, que são então reinjetadas nas mamas em múltiplas camadas finas, favorecendo a sobrevivência do tecido enxertado.
Nem toda a gordura enxertada permanece de forma permanente: parte dela é naturalmente reabsorvida pelo corpo nos primeiros meses após a cirurgia, e o volume final só pode ser avaliado com segurança depois desse período de adaptação. Em alguns casos, pode ser necessária uma segunda sessão de lipoenxertia para complementar o resultado.

A recuperação envolve os cuidados tanto da área doadora — onde foi feita a lipoaspiração — quanto das mamas. O uso de cinta modeladora e sutiã compressivo é indicado por um período determinado pelo cirurgião.
Quando a lipoenxertia é feita isoladamente — sem necessidade de retirar o excesso de pele das mamas —, não há cortes na região da mama, e a recuperação tende a ser mais rápida. A paciente costuma retomar suas atividades habituais em cerca de uma semana a dez dias, e a liberação para atividades físicas e musculação costuma ocorrer a partir de um mês.
Quando é necessário associar a mastopexia — o levantamento da mama, com retirada do excesso de pele —, a recuperação é um pouco mais longa, já que há cortes na mama além da lipoaspiração da área doadora. Nesses casos, o período de recuperação costuma ficar entre três semanas e um mês.
Comparada ao implante de silicone, a lipoenxertia costuma proporcionar volumes menores, um resultado mais natural ao toque e a vantagem de tratar duas áreas ao mesmo tempo — reduzindo gordura localizada na área doadora e aumentando o volume das mamas. Já a prótese oferece maior previsibilidade de volume e costuma ser a opção mais indicada para aumentos mais expressivos. A escolha entre as duas técnicas é definida em consulta, avaliando o objetivo e a anatomia de cada paciente.
| Critério | Prótese de Silicone | Lipoenxertia |
|---|---|---|
| Volume desejado | Indicada para grandes volumes, com resultado mais previsível e definitivo | Indicada para volumes discretos a moderados |
| Aspecto e toque | Mais firme ao toque | Mais natural e macio, por usar apenas tecido do próprio corpo |
| Projeção e colo | Mamas mais projetadas e altas, colo mais marcado | Mamas com aspecto mais sutil, acompanhando o formato natural |
| Risco de complicações | Maior — inclui contratura capsular e, raramente, BIA-ALCL | Menor, por não introduzir material sintético no corpo |
| Cortes | Cicatriz cirúrgica maior, na via de inserção do implante | Cortes bem menores, apenas os pontos de lipoaspiração |
| Doenças autoimunes | Avaliação mais criteriosa; pode não ser a melhor opção conforme o caso | Costuma ser preferível, por não introduzir material sintético |
| Gordura corporal necessária | Não depende de gordura disponível no corpo | Depende de haver gordura suficiente nas áreas doadoras |
| Manutenção a longo prazo | O tamanho da prótese de mantém ao longo dos anos, mas pode precisar de troca em alguns casos | Parte da gordura enxertada é absorvida pelo corpo e podem ser necessárias mais sessões |
A gordura que sobrevive ao processo de enxertia tende a se manter de forma definitiva, seguindo as variações naturais de peso do corpo — assim como o restante do tecido adiposo.
É preciso ter gordura corporal suficiente nas áreas doadoras para realizar a coleta. Pacientes muito magras podem não ter volume disponível suficiente, o que limita a indicação da técnica.
A gordura enxertada pode formar pequenos cistos oleosos ou calcificações benignas, identificáveis pelo radiologista. É importante informar sobre o procedimento realizado ao fazer exames de imagem, como a mamografia.
Depende do volume desejado, da quantidade de gordura disponível e das características de cada paciente, avaliados na consulta. Para aumentos mais expressivos, a prótese costuma ser a opção mais indicada — veja mais na página sobre mamoplastia de aumento com implantes.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação médica. A indicação entre lipoenxertia e prótese depende de exame clínico presencial.
Dra. Julia Facchi · CRM-SP 220.746 · RQE 146.320