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Entenda duas complicações raras, mas importantes, associadas a implantes mamários de silicone, e o que fazer para reduzir os riscos.
Por Dra. Julia Facchi · CRM-SP 220.746 / RQE 146.320
Os implantes de silicone são amplamente utilizados na cirurgia plástica e passam por rigorosos controles de segurança, mas, como qualquer material inserido no corpo, não estão isentos de riscos. Duas complicações específicas merecem atenção: o BIA-ALCL e a contratura capsular. Ambas são raras, mas o acompanhamento médico regular é a melhor forma de identificá-las precocemente, caso ocorram.
É uma das duas complicações raras associadas a implantes de silicone que merecem atenção — e é motivo frequente de dúvida entre pacientes.
O BIA-ALCL (Linfoma Anaplásico de Grandes Células Associado a Implante Mamário) é um tipo raro de linfoma — um câncer do sistema linfático, e não um câncer de mama — associado principalmente a implantes de superfície texturizada.
Costuma se manifestar como um acúmulo de líquido ao redor do implante (seroma tardio) ou, mais raramente, como um nódulo, geralmente anos após a cirurgia — e não nas primeiras semanas ou meses do pós-operatório.
Quando identificado precocemente, o tratamento — que envolve a remoção do implante e da cápsula ao seu redor — tem bom prognóstico. Por isso, qualquer inchaço, assimetria nova ou alteração em uma mama que já tem implante, especialmente anos após a cirurgia, deve ser avaliada por um médico.
Todo implante forma naturalmente uma cápsula de tecido cicatricial ao seu redor — isso é esperado e normal em qualquer cirurgia com implante.
A contratura capsular ocorre quando essa cápsula se torna mais espessa e se contrai, deixando a mama mais firme, endurecida e, em alguns casos, com alteração de formato ou desconforto. É a complicação mais comum entre as relacionadas a implantes.
Pode acontecer em diferentes graus, avaliados pela escala de Baker (de I a IV), e o tratamento varia desde o acompanhamento clínico até a necessidade de nova cirurgia para trocar o implante e a cápsula, dependendo da intensidade do quadro.
A escolha de implantes de procedência confiável e devidamente registrados, a técnica cirúrgica adequada e, principalmente, o acompanhamento pós-operatório regular — com consultas e exames de imagem periódicos, mesmo anos após a cirurgia — são os fatores que mais ajudam a identificar qualquer alteração precocemente.
Não. É um linfoma — um tipo de câncer do sistema linfático — associado ao implante, e não um câncer que se origina no tecido mamário.
Não necessariamente. Graus leves podem ser apenas acompanhados clinicamente. Graus mais avançados, com desconforto ou alteração de formato importante, costumam exigir nova cirurgia.
A recomendação geral é de consultas e exames de imagem periódicos, definidos individualmente pelo cirurgião, para acompanhar a integridade do implante e identificar precocemente qualquer alteração.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação médica. Sinais de alerta em uma mama com implante devem sempre ser avaliados presencialmente.
Dra. Julia Facchi · CRM-SP 220.746 · RQE 146.320