Guia para pacientes
Escolher quem vai operar você é, provavelmente, uma das decisões mais importantes que você vai tomar sobre o seu próprio corpo. Existem fontes públicas e gratuitas — mantidas por conselhos de medicina, sociedades médicas e órgãos de transparência — que mostram se o profissional realmente é médico e cirurgião plástico habilitado para operar. Este guia reúne o passo a passo completo para você fazer essa verificação sozinho(a), antes mesmo da primeira consulta.

No Brasil, infelizmente, vemos muitas notícias de falsos médicos ou até mesmo um médico que não tem formação adequada anunciar-se como “cirurgião”. Dizer nas redes sociais que faz cirurgia plástica não significa que ele tenha feito residência em Cirurgia Plástica, nem que tenha sido aprovado no exame de título de especialista e muito menos que ele pode fazer essas cirurgias. É comum pacientes descobrirem tarde demais que o profissional escolhido não tinha formação específica na área. Antes de marcar qualquer consulta, vale investir 20 a 30 minutos fazendo as verificações abaixo.
Comece pelo básico: digite o nome completo do cirurgião no Google e leia com atenção as duas primeiras páginas de resultados. Essa primeira “varredura” já dá pistas importantes sobre a reputação e a atuação do profissional.

Vale reforçar: notícia não é sentença. Um processo isolado, sobretudo antigo e sem desdobramento, é diferente de um padrão repetido de queixas. O objetivo é observar o conjunto, não tirar conclusões precipitadas de um único resultado.
Antes de qualquer outra coisa, é preciso confirmar o que costuma ser dado como certo: que a pessoa é, de fato, um médico!
Todo médico no Brasil precisa estar inscrito em um Conselho Regional de Medicina (CRM) — o órgão do estado onde ele atua — fiscalizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em nível nacional. É o CRM que emite o número de registro e que fiscaliza a ética e a regularidade do exercício da medicina naquele estado. Sem essa inscrição ativa, ninguém pode exercer legalmente a medicina no Brasil.
Busca nacional (CFM): no Portal Médico do CFM – Busca de Médicos, você pesquisa por nome e/ou número de CRM. O resultado mostra nome, CRM, situação da inscrição (ativa, suspensa, cancelada), especialidades registradas e faculdade da graduação.
Busca no CRM de São Paulo (Cremesp): a busca específica pode ser feita no Guia Médico do Cremesp. Se o médico atua em outro estado, o mesmo tipo de ferramenta existe no conselho regional correspondente, acessível também pelo CRM Virtual do CFM.

Alerta vermelho: não encontrar o médico, inscrição não ativa ou especialidade não informada
Ter o nome no CRM como médico é o mínimo. O que efetivamente garante que o profissional se dedicou à especialidade — fez residência, estudou e foi aprovado em prova específica — é o título de especialista, representado pelo RQE (Registro de Qualificação de Especialista).
O título de especialista em Cirurgia Plástica é concedido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) em conjunto com a Associação Médica Brasileira (AMB), após o médico cumprir residência médica reconhecida (ou equivalente) e ser aprovado em exame teórico e prático específico da especialidade, que garante habilidades e conhecimentos mínimos para atuação na área. É um processo exigente, que reflete anos de dedicação e adequação aos critérios técnicos e éticos da sociedade da especialidade.

Um médico com título de especialista se submeteu a uma avaliação formal, está em conformidade com as diretrizes éticas e técnicas da sociedade da especialidade e tem a formação mínima exigida para atuar com segurança na área.
O Currículo Lattes é a plataforma oficial do CNPq usada por profissionais da área acadêmica e científica no Brasil para registrar formação, produção científica e vínculos institucionais. Muitos médicos mantêm o currículo atualizado, especialmente aqueles envolvidos em pesquisa, docência ou pós-graduação.
Acesse a Busca Textual do Currículo Lattes e digite o nome completo do médico. Nem todo médico tem currículo cadastrado — a ausência não é, isoladamente, um problema — mas quando o currículo existe, é uma fonte valiosa para confirmar onde e como a formação foi construída. Também deve ser avaliado com cuidado, pois o próprio profissional que preenche as informações.

Plataformas como o Doctoralia reúnem avaliações de pacientes reais, além de informações profissionais como formação, convênios e localização dos consultórios. Vale observar:

Use essas avaliações como um complemento, não como critério isolado — assim como buscadores gerais, plataformas de avaliação podem ser alvo de comentários fabricados, tanto positivos quanto negativos.
As redes sociais são hoje uma das principais vitrines de qualquer médico — e também um dos lugares onde é mais fácil identificar comportamentos que fogem do que é permitido pelo Conselho Federal de Medicina.
A publicidade médica no Brasil é regulamentada pela Resolução CFM nº 2.336/2023, que estabelece o que um médico pode e não pode fazer ao divulgar seu trabalho. Ao navegar pelo perfil de um cirurgião, observe:
🚩 Sinais de alerta
Um médico sério pode e deve estar presente nas redes sociais — o problema não é a presença, mas o tipo de conteúdo e a frequência com que a imagem do paciente (ou a do próprio médico) é usada como estratégia de autopromoção, o que contraria as normas éticas da profissão.

O Escavador, por exemplo, é uma plataforma gratuita que reúne publicações de diários oficiais, tribunais e veículos de imprensa de todo o Brasil. Sempre aparece nas primeiras páginas de busca. É uma forma adicional — e gratuita — de checar se o nome do médico está envolvido em processos judiciais, ações no âmbito ético-profissional ou notícias relevantes.

Vale lembrar duas coisas:
– Processos sigilosos não aparecem, e nem todo processo indica má prática — muitos são cíveis, trabalhistas ou até processos em que o médico é autor, não réu. Podem haver processos antigos e absolutamente não relacionados à medicina. O ideal é olhar o conjunto e, em caso de dúvida sobre algo específico, perguntar diretamente ao médico na consulta.
– Muitas das informações acadêmicas e profissionais não estão atualizadas, a plataforma busca informações da internet e pode não estar completa.
| Verificação | Onde fazer |
|---|---|
| Reputação geral (2 primeiras páginas do Google) | |
| Registro médico ativo e especialidade | CFM / Cremesp (ou conselho do seu estado) |
| Título de especialista (RQE) | SBCP – Encontre um Cirurgião |
| Formação acadêmica e produção científica | Currículo Lattes |
| Avaliações de pacientes | Doctoralia e outras plataformas |
| Postura profissional nas redes sociais | Instagram / redes do médico |
| Processos e registros públicos | Escavador |
Não. Apenas quem concluiu residência médica reconhecida na especialidade e/ou foi aprovado no exame de título de especialista pode ser considerado um cirurgião plástico, e deve ter RQE registrado.
Não necessariamente. É importante avaliar o tipo de processo, o contexto e se houve decisão. Processos isolados, antigos ou de natureza não relacionada à prática médica pedem análise cuidadosa.
Sim. Todas as ferramentas mencionadas neste artigo — CFM, Cremesp (ou conselho do seu estado), SBCP, Currículo Lattes e Escavador — são gratuitas e de acesso público.
As verificações documentais são o primeiro filtro, mas a consulta presencial continua sendo essencial: é nela que você avalia a comunicação do médico, tira dúvidas sobre a técnica proposta, entende os riscos específicos do seu caso e sente se há uma relação de confiança.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação individual feita em consulta médica presencial.